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Varina de olhar gaiato

António Vilar da Costa / Popular c/arranjos de Manuel de Almeida
Repertório de Manuel de Almeida 

Varina de olhar gaiato
Insinuante varina
Tu és o vivo retrato
Dessa Lisboa traquina

Dessa gente humilde e sã / Do meu bairro sonhador
Tu és o despertador / Ao despertar da manhã;
Risonha, alegre e louçã / Sempre picante no trato
Há lá viela ou recato / Que o teu pregão não aqueça;
Que esse olhar não endoideça
Varina de olhar gaiato

Quem é, quem é, que adivinha / Quantos segredos de amor
Tu ocultas com fervor / Dentro dessa canastrinha;
Lamento por sorte minha / Ser tão pobre por má sina
Senão dava-te, ladina / Se possuísse, um tesoiro;
Uma canastrinha d’oiro
Insinuante varina

Se à espera duma traineira / Tu apareces na lota
Lembras alegre gaivota / A volejar na Ribeira
Não olhes dessa maneira / Que apesar de eu ser sensato
Fazes-me perder o tato / E um dia não sei que faça
Dos mil encantos da raça
Tu és o vivo retrato

Falte embora a luz da Lua / Deixe o sol de brilhar
Mas não deixes de passar / Um só dia à minha rua;
Pois somente a graça tua / Mais do que o sol ilumina
Minha rua pequenina / Onde levas a voz fresca
Toda a graça pitoresca
Desta Lisboa traquina