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Fado Anita Guerreiro

Tributo de Fernando Campos de Castro 


Fui Teatro velho e novo
Com Nobreza fui do Povo
De quem fiz a minha vida
Já fui Palco e fui Canção
Já fui Marcha e fui Balão
A brilhar na Avenida



Sou Guerreiro e sou Anita
Sempre fui de pequenita
E serei até ao fim
Porque sou Povo
Sou o Tejo e sou Canoa
Sou pedaço de Lisboa
Que mora dentro de mim




Já fui calma, e excedi-me / Fui o Fado e já fui Filme
Sempre dei o que sabia
Fui Mulher e nesta voz / 
Eu fui Eu e já fui Vós
Fui Tristeza e Alegria

Fado Beatriz da Conceição

Tributo de: Fernando Campos de Castro


DEI-TE UM NOME EM MINHA CAMA
E nunca mais esqueci 
O calor daquela chama
Que hora a hora inflama
A VIDA QUE SOFRO EM TI


Em PÃO DE GESTOS cantava
PRECISO DE TE OUVIR A VOZ
E em cada verso sonhava
Que no teu corpo ancorava
MEU CORPO rio sem foz



É um fado sobre fados que te canto
Meu amor, minha ansiedade desmedida
É um fado sobre os fados do meu pranto
Que te canto meu amor da minha vida

VOLTASTE agora à procura
Dos beijos que dei aos molhos
Com palavras de ternura
Já saudoso da loucura
D’AS MENINAS DOS MEUS OLHOS

Nas sombras que a NOITE inventa
DESTE-ME UM BEIJO E VIVI
Como estrela que alimenta
MINHA ALMA DE AMOR SEDENTA
Sedenta de amor por ti

No terreiro

Vasco de Lima Couto / Carlos Gonçalves
Repertório de Amália 

Eu vim do Pinhal com a terra toda 
Não trouxe Bragal para a minha boda 
Porque do Pinhal trouxe a terra toda

Depois no Terreiro dancei a Tirana 
E dei-me ao primeiro que me fez humana 
Porque no Terreiro senti-me tirana

Por muita fronteira joguei minha idade 
Com voz caminheira cantei a saudade 
Na linda maneira de não ter idade

Hoje dou-me ao vento da ponta do mar 
Neste violento modo de cantar 
Com o pensamento de te ver chorar

Um fado pelo Maurício

Mário Raínho / Frederico de Brito
Repertório de Fernando Jorge 

Becos, ruas e calçadas
Calcetámos tantas ‘stradas
Nessa rotina dos passos
Lisboa, de lés-a-lés
Já nos conhecia os pés
Fados a quatro compassos

Escutou-nos a gargalhar /Outras vezes a chorar
A mágoa igual, ou diferente
Ouviu-no
s em desgarradas / Sem música, improvisadas
Sobre os passeios, contente

Os desabafos, por vezes / Um chorrilho de revezes
Na partilha entristecida
Tal como foram contigo / Irão um dia comigo
Para onde existe outra vida

Em amizade, senhores
Não há amigos maiores / Diz o povo, sem razão
Pois foste e serás Maurício
O me vitalício / Fado, do meu coração 

Canção do Ribatejo

José Fernandes Castro / João Chora e Bruno Mira
Repertório de João Chora

O Ribatejo cumpre o desejo
De roubar um beijo duma boca em chama
Como o campino cumpre o destino
De ser peregrino na terra que ama

Lezíria nova que pões à prova
A mais linda trova dum peito marcado
Lezíria amiga, paixão antiga
És poema com sabor a fado

Tudo é diferente na nossa gente
Que no peito sente a força duma vida
Tudo tem cor, tudo tem calor
E o sol do amor, hora prometida

A natureza tem mais beleza
E tem a nobreza dum peito ancestral
Ai Ribatejo do meu desejo
Só em ti vejo o sol de Portugal  

Vamos lá a ter sucesso

Carlos Baleia / Daniel Gouveia
Repertório de Daniel Gouveia 

Que coisa bonita / Ser gajo porreiro
E ser bem-falante
Ter um ar catita / Gostar de dinheiro
Ser insinuante

Vestir a preceito / Fazer-se entendido
E estar na jogada
Mentir, só com jeito / E ser atrevido
É coisa acertada

E com este trunfo / Na tal jogatina
Que tanto o exalta
Está certo o triunfo / Com o qual domina
Toda a outra malta

Nada de cansaços / Pois muito suor
Não deixa pensar
Calcular os passos / Com muito rigor
Para bem enganar

É assim a história / Do nobre sucesso
Dos espertalhões
Um “V” de vitória / Na boca “o progresso”
No bolso, milhões

Quase logótipo / Coisa radical
Com gelo nas veias
Quem fez este tipo / Fê-lo muito mal
Que as coisas estão feias

Tua dor bebi na fonte

Carlos Baleia / Daniel Gouveia *fado chafariz*
Repertório de Daniel Gouveia 

Um chafariz de água pura
Recebeu a certa altura
Lágrimas do teu chorar
E hoje o que corre na bica
Bate na pedra e salpica
Quem perto dele passar

Passei lá, depois bebi
E a fonte deu-me de ti
Frescura a saber a sal
Com sede de amor fiquei
E ao chafariz perguntei
Que água era aquela, afinal

Mas o caudal, indiferente
Falou de um choro recente
Que era o teu, bem percebi
E de ti, nada me disse
Ignorou toda a doidice
Nascida do que eu bebi

Zangado com o chafariz
Por bem saber que ele quis
Teus segredos esconder
Fica em mim a tua dor
Que fez crescer meu amor
E me obriga a lá beber

Raul Nery *Tributo*


Manuel Mendes *Tributo*



Esta cidade e o fado

Carlos Baleia / Daniel Gouveia
Repertório de Daniel Gouveia 

Gosto de ser deste povo
Fruto de uniões bizarras
Que parte e volta de novo
E ouve o choro de guitarras

Trinados de nostalgia
E voz que sabe sofrer
Dão à Bica e Mouraria
A sua forma de ser

Nasceu duma teia e sem dar por isso
Canto de sereia lançou-lhe feitiço
Sem quatro caminhos, nem rezas de encanto
Com muito carinho e algum quebranto;
De noite aparece envolto em magia
Logo que amanhece perde a fantasia
Não usa maldade, não tem mau-olhado
É voz da cidade e chama-se fado

Lisboa que não desiste
De sorrir ao seu passado
Põe um ar sombrio e triste
Quando o fado anda calado

Gosta de ser da cidade
Que sendo uma feiticeira
Logo que chega a saudade
Põe o xaile e é cantadeira

Porque será?

Carlos Baleia / Daniel Gouveia
Repertório de Daniel Gouveia 

Porque será que o teu desprezo me prende
Quem poderá explicar o que não entende
Porque será que quando chegas me ausento
Quem poderá pôr fim a este tormento

Se isto é amor
É outra espécie de dor
Se isto é ciúme
Queima muito mais que lume
Se isto é doença
Não há remédio que a vença
Mas se é paixão
Não está mais na minha mão

Por isso digo que sofrer é estar contigo
Por isso grito que o meu amor é maldito
E ter-te ao lado é um sonho inacabado
É amar sem ser amado e odiar-te neste fado

Se isto é amor
É outra espécie de dor
Se isto é ciúme
Queima muito mais que lume
Se isto é doença
Não há remédio que a vença
Mas se é paixão
Bendigo a condenação

José Manuel Neto *tributo*


Mil cores

Carlos Baleia / Daniel Gouveia
Repertório de Daniel Gouveia 

Se houver um norte de amor
Orientado para sul
Se esse amor tiver cor
E se essa cor for azul
Hei-de dar um verde ao céu
Em sinal de segurança
P’ra que o azul seja meu
A dar cor à minha esperança

Se o amor viver no sul / E o ocaso for laranja
Com raios de um sol azul / Que só no sonho se arranja
O verde da minha esperança / Com laivos encarniçados
É um arco-íris que dança / Em pontos desencontrados

Se o amor tiver mil cores / Com cem pontos cardeais
Como a vida tem amores / E o mar tem vendavais
Não pode o tom da paixão / Vir a ser um e não mais
Como arco-íris sem razão / De sete cores sempre iguais

Quero um amar verde-azul / Amarelo-alaranjado
Aurora de norte e sul / Com poente avermelhado
A marcar sonhos de cor / De um arco-íris inventado
De um verde nascer de amor / Com pôr-do-sol azulado

Sendo eu Tejo e tu navio

Carlos Baleia / Daniel Gouveia *fado tejo*
Repertório de Daniel Gouveia

Lisboa, que entras em mim
Na tua luz, nos teus cheiros
Nos versos que te cantaram
Onde Cesário é jardim
Teus cantadores, Marceneiros
Dos tronos que te enfeitaram

Das ruelas, dos recantos
Norberto tinha o segredo
Que ainda por ti circulam
E de mistérios e encantos
São tecidos os enredos
Que os teus anos acumulam

Há mouros pelas esquinas
E no cais vozes gentias
Relembram tudo o que és
E as gaivotas p’las colinas
São poetas, são vigias
Que te cruzam lés-a-lés

Teu Santo António nas ruas
Não sei se discursa ou não
Para os peixes deste rio
Mas, tu, que bem te insinuas
Entraste em meu coração
Sendo eu Tejo e tu navio

Anos a fio

Carlos Baleia / Daniel Gouveia
Repertório de Daniel Gouveia

Tomem cuidado porque agora sou poeta
Que de maneira indiscreta
Deixa cantar versos loucos
Escrevi um fado que em tom leve do corrido
Até ficou no ouvido
Dos que dizem que são moucos

Esse meu fado não canta fora de portas
Não vive nas horas mortas
Nem tem dores para chorar
É só cantiga que já não conhece briga
Nem navalha nem intriga
Mas que insiste em cá ficar

Por isso luta com o rap, o funck, o rock
E tudo o mais que se toque
Neste século vinte e um
E na disputa, este meu fado aparece
Como herdeiro que não esquece
Memórias do trinta e um

O trinta e um, duma vida assim-assim
Onde a rocha faz de mim
Mexilhão de mar bravio
Em que nenhum dos donos do que nós temos
Imagina o que aprendemos
Com o fado, anos a fio

Alvaro Martins *Tributo*



Alcino Frazão *Tributo*


Seja meu fado o que for

Carlos Baleia / Daniel Gouveia *fado mesclado*
Repertório de Daniel Gouveia

Tenho meu fado de cor
Em tudo o que veio de ti
Tu foste o fado maior
Dos amores que eu vivi
Não digam que ele é Menor
Pois por ele me perdi

Eu estou preso nesse dia
Em que o meu sonho ruiu / E chorei numa agonia
Que o fado nunca sentiu
Não digam que é Mouraria / Este meu fado vazio

Desde então tenho vivido
Se a isto viver se chama / Nas saudades sem sentido
Que vêm da tua cama
Não digam que é Corrido / Fado triste de quem ama

Seja meu fado o que for
Veio de ti e em mim ficou / Fado que tenho de cor
E que minha voz calou
Para não cantar a dor / E a saudade que deixou

Se tu fosses como eu queria

Carlos Baleia / Daniel Gouveia
Repertório de Daniel Gouveia

Se tu fosses como eu queria
Em vez de seres como és
Decerto te adoraria 
E cairia a teus pés;
Serias dona do mundo
Se o mundo me pertencesse
E até um amor profundo
Talvez a ti, te oferecesse;
Bastaria um só olhar
Um sorriso, uma ternura
P’rá vida se transformar 
Em duradoura ventura                   

Mas, tu, tirana, és cruel, és indiferente
E soberana assim passas entre a gente
Segues sem ver, altiva no teu andar
Todo este querer que eu guardo para te dar
E nesse andar onde pisas sentimentos
Não há pesar, por desgostos ou tormentos

Mas um dia tarde ou cedo
Quando o amor te atingir
Decerto sentirás medo 
Ou vontade de fugir;
E rezo aos santos amigos
Que eu seja disso culpado
Desejando-te castigos 
Pelo desprezo que tens dado;
Castigos que a mim te prendam
Correntes que não desatem
Beijos que me surpreendam
Ou carícias que me matem              

Pois tu, tirana, tão cruel e indiferente
A tal soberana que nem via a outra gente;
Hás-de perder o estilo do teu pisar
E merecer o amor que posso dar;
E encantada com vida de nova cor
Por mim chamada, correrás para o amor

Prece à noite

Torre da Guia / Manuel dos Santos
Repertório de Fernando João

Que a noite seja leito de ventura
Em cada coração despedaçado
Que a noite seja fonte de ternura
Nas trevas de quem vive abandonado

Tragam-me a noite inteira numa taça
E um vinho de verdade que me aqueça
A noite é mensageira e por desgraça
Só vive de saudade quem regressa

E muito-muito antes que amanheça
Que exista ainda um fado por fadar
E que um par de amantes adormeça
Nos braços dum pecado por pecar

Que a noite seja rumo e caminho
Jornada de regresso à felicidade
Que a noite seja lar, seja cantinho
De paz, de amor, de liberdade

Envelhecer em Lisboa

Carlos Baleia / Daniel Gouveia
Repertório de Linda Leonardo 

Sinto a cidade em passos que vou cumprindo
No avançar da idade, em sonhos que vão caindo
E a saudade colada nos meus cansaços
Segue o rumo dos meus passos  a falar da mocidade

No empedrado vou lendo histórias antigas
Livro magoado, que inspira suas cantigas
Ouvem-se os sinos das igrejas do Chiado
E os meus passos peregrinos são ecos do meu enfado

Sinos de fado, estranha oração de Lisboa
Um som salgado na cidade de Pessoa
Poema ouvido, soluço que dobra a esquina
E é repetido de colina p'ra colina

Peso nos ombros, água nos olhos saudosos
Dos meus escombros relembro tempos viçosos
Ao caminhar nesta viela escondida
Sem partir e sem chegar, cumpro meus passos na vida

O rio do meu sonho

José Fernandes Castro / Armando Machado *fado marana*
Repertório de Rute Rita 

O rio do meu sonho já secou
Agora só existo neste fado
O mar onde o meu barco navegou
Tem ondas de prazer desencantado

O rio do meu pranto, tem agora
O sal da solidão e do tormento
A vida já não tem data nem hora
Pois tudo se resume ao sofrimento

O rio transbordante do meu peito
Não tem o encantamento das marés
Meu sonho, já distante e já desfeito
Não tem a cor do amor com que me vês

Mas mesmo assim, eu quero que o meu rio
Naufrague, no teu mar encapelado
E vá beijar a proa dum navio
Que trago a navegar neste meu fado

Sé velhinha

Américo Costa / Paulo Pombo
Repertório de João Correia 

Passo à Sé já de noitinha / Vou encostar-me ao pelouro
Tranquila em sonho ledo
Vejo a Ribeira rainha / Enamorar-se do do Douro
Dando ciúme a Barredo

E a Maria Manuela / Com o seu xaile traçado
À modinha afadistada
No chão se ajoelha e reza / E pôs-se a cantar o fado
Até alta madrugada

Eu quero viver sempre na Sé
Porque tu, Sé
És o meu torrão amado 
Tu, Sé velhinha
És o meu berço sagrado
E do Porto és a rainha
E és rainha do fado

Vejo o Chico de samarra / E calça à boca de sino
Isto, às três da madrugada
Leva consigo a guitarra / E já ébrio, quase sem tino
Cambaleia na calçada

Eu vejo o Fá e a amante / Em sincera comunhão
Embora dois plebeus
Eu vejo a lua distante / A cair  na imensidão
E à Sé dizendo adeus

Para sempre

Carlos Baleia / Daniel Gouveia
Repertório de Daniel Gouveia 

Nasceu o amor, nos dias de escola
Ela era traquina, ele, um mariola
E assim se olhavam, num jeito maroto
Amor da menina, paixão do garoto

Corações gravados em muito jardim
Num dia de sol, disseram que sim
E a gente sabia qual era o destino
Num dia de chuva, nasceu um menino

E foram marchando, vencendo a batalha
Sabendo sorrir, desculpando a falha
E em seus olhares não morre o desejo
Que as breves zangas acabam num beijo

A velha menina e seu rapazola
De cabelos brancos, já não vão à escola
E é coisa bem rara passear pela rua
Mas o amor de sempre neles continua

Há choro na Mouraria

Carlos Baleia / Daniel Gouveia *fado naifa*
Repertório de Daniel Gouveia 

Certa noite violenta
Frente á taberna sebenta
Uma navalha matou
Na rua do Capelão
Dois homens foram ao chão
Mas só um se levantou

Gritos da mesma mulher / Que se dava a um qualquer
Soaram pelo desgraçado
E desfizeram-se em pranto / Nunca ninguém soube quanto
Junto ao corpo trespassado

Ele fora um marinheiro / Que num gesto cavalheiro
Quis defender a Severa
Da arremetida de um faia / Malvado, que de atalaia
Por ela ficara à espera

Coisa nova para ela / Ter recebido a tutela
De um homem que ia a passa
E a fadista, comovida / A dura mulher da vida
Só lhe agradece a chorar